Trilha - O Pequeno Livro
das Páginas em Branco

Tuti Fornari
&
a Trilha de
O Pequeno Livro das Páginas em Branco






Foi simplesmente maravilhoso o trabalho com o Tuti. Após a Entrada de Guarnieri o projeto foi ganhando novas dimensões, e uma delas foi investirmos na execução de uma trilha ao vivo.

O encontro com Tuti deu-se via sua irmã (a artista Plástica Carmen Novo), Tuti era a pedida certa: maestro, ja tinha trabalhado na composição de trilhas para o cinema e era exatamente o que queria para o espetáculo, uma trilha com cara de cinema.
Selecionamos jovens e talentosos músicos (acho que até com um certo rigor) e começamos o trabalho.

Lembro-me do dia que cheguei na casa de Guarni, sentamos no chão da sala e apresentei pra ele o tema principal (tema da Natália) e ficamos viajando nas mil possibilidades de arranjos que o Tuti nos proporcionava.

A partir desse tema, Tuti seguiu uma linha constante, com rigor, com clareza, dando vida musical a cada cena, a cada personagem e o próprio tom crescente do espetáculo

Foi um trabalho árduo, explosivo, diário...
O ritimo era basicamente esse: no ensaio mostrava uma referência musical pro Tuti, para a próxima cena, Tuti voltava pra casa, criava o tema, arranjava e pendurava as partituras de cada instrumento na net. Os músicos estudavam a partitura a noite e no dia seguinte estavam executando a música no ensaio, já com os atores, enquanto eu criava a marcação e o tom da cena.

Era um ritmo alucinante, que não sei se poderia repitir. Mas o resultado foi maravilhoso.


Uma curiosidade, que qualquer um que entende um pouco de música vai entender, foi a negociação com o Tuti com relação a música "O Beijo" (faixa 13 no CD), Pedi um crescente músical pro Tuti e no que seria o climax musical, pedi pra ele retirar a última nota da frase.
Claro que todos, Tuti e todos os músicos, ficaram absolutamente in-di-gna-dos, em cometer aquela herezia musical...

Mas.... tinha meus bons motivos, diferente do convencional, a música não permeava a cena onde Natália beijava o Ivan, a música acompanhava o crescente da cena e o beijo... quando o beijo acontecia, ele era a nota faltante na frase musical... o beijo acontecia num silêncio total. Só quando viram o resultado da música em conjunto da cena, os músicos conseguiram entender e curtir a experiência. Fui absolvido e poupado de uns dias a mais no purgatório.


Bem... pra quem quiser conhecer essa obra
pode baixar trilha pelo rapidshare

download
clique na imagem para baixar




Uma única música no espetáculo não era exucatada ao vivo e nem da autoria de Tuti Fornari. a Música era "Pedra, Flor e Espinho", gravada pelo Barão Vermelho na voz de Frejat. A música foi composta por: Frejat / Fernando Magalhães / Dulce Quental.E aí começa mais uma das histórias. A Gravadora e Frejat, gentilmente e de pronto, liberaram os direitos autorais para a utilização da gravação no espetáculo, porém, juridicamente os três autores deveriam assinar a permissão. E o fato é que ninguém encontrava Dulce Quental. Mas ninguém mesmo. Pra encurtar a história, ja estavamos desisitindo, quando nas vésperas da estréia, (ufa) chegou a liberação da gravadora, após a conseção dos três compositores.

Aqui a música na versão original. Muito mais rock and roll que uma versão gravada na MTV.



E pra completar essa história, a cena em que essa música era usada, era uma xerocópia de uma cena do filme "Beleza Roubada" (Stealing Beauty) de Bernardo Bertulucci. Não havia desmérito nenhum nisso, mesmo porque, a personagem Natália, anunciava cenas antes, ser apaixonada pelo filme.

E aqui vai a cena Original do filme, pra quem assitiu a peça, vai lembrar e vai sorrir


Como diria o Mestre Carlos Alberto Sofredini††: - Não tem sentido criar algo diferente, quando o melhor já foi criado, use! Mas de o crédito. (crédito dado)