Teatro União e Olho Vivo - Bumba, meu queixada - 1979

Com 40 anos de estrada, grupo
trocou palco de centro cultural por sacristias


No dia 28 de março/2007, data em que se comemorou o dia do circo e do teatro, a Assembléia Legislativa de São Paulo homenageou importantes personagens nacionais dessas artes. Uma delas foi César Vieira, pseudônimo artístico-político de Idibal Pivetta, diretor teatral, fundador e principal mentor do Teatro União e Olho Vivo, grupo não profissional que completou, no ano passado, quatro décadas de atuação.

“Foram mais de 3 milhões de apresentações pelo Brasil afora, sempre sem dinheiro e nunca se curvando à censura, à repressão cultural e política”, sapecou, em discurso na ocasião, o deputado Vicente Cândido (PT). Exagero à parte - ainda que o grupo realizasse dez apresentações diárias por 40 anos seguidos não chegaria sequer perto do número mencionado -, foi justa a homenagem, que coincidiu com a apresentação do recém-criado Prêmio Assembléia Legislativa de Arte e Cultura, que terá edições anuais.
A trupe é fiel seguidora do verso da música “Nos bailes da vida”, conhecida na interpretação de Milton Nascimento, quando afirma que “todo artista tem que ir aonde o povo está”. O União e Olho Vivo não espera o público: vai até ele. Suas apresentações são quase sempre gratuitas, em palcos inusitados. Em geral, as encenações são “remuneradas” com o dinheiro da condução e lanches, condições que garantem o status de grupo amador.

O grupo possui uma sede modesta, situada no Bom Retiro, zona oeste de São Paulo: um galpão e outras construções básicas onde se realizam ensaios, reuniões e esporádicas apresentações. O terreno foi cedido pela prefeitura por concessão de uso. A companhia agora pleiteia a permissão de uso por 30 anos.

Houve uma época em que alguns - entre eles os arquitetos Omerville de Souza Ferreira e Rogério Batagliesi - acreditaram, utopicamente, que o terreno poderia comportar um centro cultural, supostamente mais adequado ao futuro do grupo. PROJETO dedicou quatro páginas da edição 47, de janeiro de 1983, a essa - hoje pode ser considerada assim - quimera.

Uma pequena sala de espetáculos para 175 espectadores, laboratório de artes cênicas e de aprendizado de funções técnicas, alojamentos e biblioteca faziam parte do programa. O projeto não custou nada ao grupo, recorda Vieira.

Apesar de já ter se apresentado em importantes espaços no Brasil e no mundo - desde o Teatro Municipal de São Paulo até o festival da cidade de Nancy, na França -, as sacristias de igrejas têm sido o palco mais freqüentado pelo grupo. “Jesus Cristo é o nosso assíduo espectador”, brinca Vieira. “E nunca reclamou”, completa.


Um dos registros do trabalho do Grupo, é o LP (bolachão, vinil, ou simplesmente long player) de 1979 -

"Bumba, meu queixada".



Conheça esse trabalho clicando no vinil aqui
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Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN

Edição 327 Maio de 2007
fonte:
http://www.arcoweb.com.br/memoria/jesus-nunca-reclamou-teatro-uniao-02-07-2007.html