Contos do Sol e da Lua - Azul

Azul



.   .   . Ela parou. Ainda de sorriso na boca. Me olhou nos olhos. Era difícil fixá-los, eles me envolviam... Envolviam tanto, que o meu corpo começava a formigar. Lentamente, fui perdendo o controle dos meus membros, do meu tronco, da minha cabeça e, o corpo, queria por que queria flutuar. Eu negava e tentava a todo custo retomar o controle. Eu negava e tentava não olhar mais para aqueles olhos. Mas era tão bom... Mas, o controle me fugia. E eu não queria perder o controle. Um lado queria... o outro, tinha medo. Então, ela sussurrou:


- deixa.

(sua voz chegou nos meus ouvidos cheia de um azul tão gostoso, que me tranqüilizou). Respondi com um sorriso que começou tímido e foi crescendo. Então ela com os lábios em "u", soprou. Meu sorriso virou riso de menino. Meu corpo, embalado pela brisa de seu hálito, alçou vôo e foi ganhando altura e se perdendo. À medida que ele se misturava com a imensidão azul, eu sentia que cada vez menos era dono do meu destino. E me sentia bem. Então... ainda balbuciei:

- me leva pra onde você quiser.





continua....



Inverno de 99

Jaime Celiberto