Os Girassóis de Outono
Sinopse
Drama. Uma ficção atemporal. A condição humana levada aos limites da sordidez. Pedro é um jovem rústico que não tem a mesma idade mental que a física. Fica feliz quando consegue um emprego para cuidar do pátio e jardim de uma instituição. Mas o que é essa instituição? Porque a proibição de entrar no prédio ou até mesmo de falar com outros funcionários? Que tempo estamos? Que lugar do planeta e que momento histórico? Nada disso interessa para Pedro! Nem mesmo a misteriosa centena de gritos humanos que vazam do prédio da instituição em horas marcadas, são capazes de abalar a determinação dele em manter-se no emprego. Seu apego é um único: as flores do jardim!
Tudo vai bem, até que o amor, a sedução é inserida em sua vida com a chegada de uma estranha mulher. Quatro pessoas são expostas, quatro interesses diferentes. Quatro formas de amar. Será que a paixão pode não ser uma crônica patologia em alguma esfera?
Tentar desvendar essas almas humanas é tentar desvendar a si próprio.
Cena 3
Luz abrindo na sala.
A Sra. Jaleco Azul está sentada à mesa, fazendo anotações.
Pedro - Tudo o que eu não queria era ter que voltar praquela sala. Por que eu?? Tinha tanto Jaleco Branco! Qualquer um deles poderia ter trocado aquela cortina!! Qualquer um deles poderia pegar uma rosa!!! Por que eu??
Música termina
A Menina ainda está na maca. Tem um tubo (como os de soro), ligado ao seu braço. Um Jaleco Branco está próximo dela, fazendo outras anotações.
Pedro - Três horas. O corredor naquele silêncio que agora era tão assustador quanto aos gritos. O silêncio da surpresa. Entrei na sala e a Sra. Jaleco Azul estava sentada na mesa. Me recebeu com aquele sorriso irritante e mandou eu sentar enquanto ela acabava de escrever. Eu tava lá, quase de costas pra cama, mas não resisti: de canto de olho, fui procurar pela menina planta. Ela tava amarrada do mesmo jeito, só que agora tinha uma tranqüilidade, uma paz, um silêncio... Foi só eu olhar e ela também veio me procurando com aqueles olhos tristes. Agora ela tinha um negócio enfiado no braço, ligado a um tubo que tava pendurado num dos pedestais, que foi colocado do lado da cama. Sem perceber, sem querer, meu medo foi esfriando e eu e a menina ficamos um tempão de olho no olho.
Silêncio
Pedro entra na sala e pára em pé próximo da mesa, aguardando a atenção da mulher.
A Jaleco Azul ao perceber Pedro, pára suas anotações e fica o olhando, sorrindo.
Sra Jal. Azul- Senta. Espera um pouco enquanto eu termino isso.
Silêncio
Pedro fica se segurando para não olhar pra menina.
Silêncio
Aos poucos, lentamente, Pedro vai girando a cabeça tentando encontrar o olhar da menina.
Música muito suave. Pequena mudança de luz. Tudo muito irreal.
Os olhos dos dois se encontram.
Ele relaxa e se entrega ao olhar dela. Ela relaxa seu semblante e entrega-se ao olhar de Pedro
Jaleco Branco e Sra. jaleco Azul continuam com suas tarefas, como se não houvesse a existência dos dois na sala.
A música pontua e reafirma a irrealidade da cena.
Pedro - Você pensa e eu te escuto.
Menina - Eu penso e você me escuta.
Pedro - Você me entende. As plantas me entendem.
Menina - Eu te escuto.
Pedro - Em qualquer lugar, em qualquer hora.
Menina - Eu te entendo e eu te escuto.
Pedro - Onde eu estiver.
Menina - Onde eu estiver.
Os dois - Você pensa e eu te escuto
Música cresce dominando a cena.
Os dois se olham em silêncio, sorrindo.
A Sra. jaleco Azul, levanta o olhar e percebe o interesse de Pedro pela menina. Fica extremamente irritada.
Música Termina.
Pedro percebe o olhar furioso da Sra. Jaleco Azul. Vagarosamente ele vai se virando e baixando a cabeça.
Sra Jal. Azul- (para o Jaleco Branco) E você!!?? Eu preciso de um frasco do "LH 383" que o meu está acabando. Preciso agora! Providencie diretamente com o Sr. André. Diga que foi um pedido meu.
Jaleco Bco - Sim Senhora.
O Jaleco Branco sai. Tempo.
Sra Jal. Azul- Gosto das rosas. Mas sabe o que eu gostaria? De ter alguma coisa viva na sala. O que você traria do seu jardim, para dar um pouco de vida nesta sala?
Silêncio. Pedro continua de cabeça baixa.
Sra Jal. Azul- (energica) Qual flor você colocaria aqui? Qual flor que pode viver com pouco sol? (gritando) Fala!! Porque eu quero flores aqui ainda hoje!!!
Pedro - Violetas!!!!!
30 de outubro/2003
11:37
vivendo mais um inferno!
De inferno em inferno,
a gente acaba aprendendo a escrever.






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