Ana Nua e a Lua Nova


Ana Nua e a Lua Nova




Sinopse

Uma comédia enigmática. Ana é contratada para trabalhar numa grande obra no fim do mundo. Fotógrafa, irá fazer o registro do crescimento da empreitada. Porém as personagens têm ligações num passado distante: Alécio o todo poderoso dono da obra, Samuel o Engenheiro que abusa do uísque, parecem estar envolvidos num misterioso passado sombrio. Além deles Um jovem e bem nutrido entregador de flores, completam um quadro de tipos masculinos aos quais Ana está exposta.


A comédia discute o universo feminino e de como esse universo é enigmático para os homens.








Cena 2                                                                    



Luz abrindo. Apartamento vazio, ainda com os móveis cobertos. Entra Samuel. Entra carregando uma mala. Olha para o apartamento com a mesma reação de asco. Larga a mala no centro do apartamento e dá uma boa caminhada analisando o local. Samuel está sempre mascando alguma coisa. Depois de resmungar bastante sobre as condições do apartamento, vai até o banheiro, fica lá por alguns segundos e saí, pára de frente para a porta do banheiro fechando a braguilha da calça.


 Samuel    -    Me reservaram o chiqueiro!!! Como é abafado!! Nem água tem nesse lugar!!


Entra Ana, distraída, máquina fotográfica na mão. Acaba deparando-se com Samuel com a mão no zíper da calça.


Ana    -    (Gritando) Ahhhhhhhhhhhhhhh!!!!! (e instintivamente aponta a máquina para Samuel e dispara várias vezes)


 Samuel    -    (Gritando) Ahhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!! (e instintivamente encobre suas partes íntimas)


 Ana    -    (vai até a porta e grita para fora) Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!! (e volta a disparar a máquina em direção de Samuel)

Música termina. Samuel vira de costas e termina de fechar a braguilha.


 Samuel     -    Quer fazer o favor de parar de gritar... Afinal, não tinha nada aparecendo aqui.

Ana    -    Quem é você? Quer fazer o favor de se retirar do meu apartamento!

Samuel    -    (Caminhando pelo apartamento e medindo Ana de cima a baixo) Ô Bonita, isso aqui num tá com cara de apartamento de Princesa, não... será que você não errou o caminho de casa?

Ana    -    Não.. era só o que me faltava!!!

Samuel    -    Vem cá, ô cheia de charme!!! Você por acaso trabalha aqui, é???

Ana    -    Escuta aqui ô.... dá pra você sair do meu apartamento!

Samuel    -    Muita Calma, bonita.... deve estar havendo alguma confusão. Lá na guarita me falaram que esse era meu apartamento.

Ana    -     Só tem confusão nesse lugar! Esse lugar é uma confusão!

Samuel    -    Tudo bem (Caminha até perto da sua mala) Bom... pelo visto você está trabalhando aqui... certo? (Olhando pra máquina fotográfica) Já sei você é fotógrafa!! Claro!!!

Ana    -    Não!!! (irônica) Sou a amestradora dos elefantes!! Essa é a barraca dos domadores. E a barraca dos palhaços fica do outro lado. (apontado a porta) Saindo!!!

Samuel    -    Engraçadinha!! Eu quis perguntar, bonita, se você é a fotógrafa que vai acompanhar a obra??

Ana    -    Sou eu mesma, porque!!

Samuel    -    Ô bom Deus, obrigado!! Finalmente o Alécio lembrou dos amigos... Princesa, a gente vai trabalhar junto. Olha meu Nome é Samuel. Engenheiro Samuel. O Alécio já deve ter falado de mim pra você!

Ana    -    Nem uma palavra... Aliás, nem uma letra do seu nome.

Samuel    -    Relaxa Bonita!! Eu sou o Engenheiro de fundações... Sou eu quem comanda as obras do Alécio, A gente já trabalhou junto na Usina e na Química 1. Você vai registrar os passos da obra e sou eu quem vai tocar esse monstrengo. A gente vai estar junto o tempo todo. Pra dizer a verdade... Sou o teu chefe!

Ana    -    Ah Meu Deus!!! Olha o Manuel...

Samuel    -    É Samuel...

Ana    -    (caindo em si) Espera aí!? Você trabalhou com ele na Química 1? Então você trabalha com o Alécio há muito tempo

Samuel    -    Vou e volto. Quando o calo aperta, o Alécio me chama, bonita.

Ana    -    Quando você trabalhou na Química 1, você conheceu o Engenheiro Agenor?

Samuel    -    Nossa... claro!!! O falecido Agenor!

Ana    -    Era meu pai.

Samuel    -    Caramba!! Então você é a filha do Agenor. Lembro de você, uma pirralha magrinha... (dando uma boa olhada em Ana) Princesa!!! Você melhorou bastante.

Ana    -    Desculpe, mas eu não lembro do rosto de todos os amigos do meu pai.

Samuel    -    Nem que quisesse, eu era garotão, tinha 22 anos, estagiário. Lembro vagamente de você ... Eu nunca vou esquecer aquela época...

Ana    -    (com o peso do passado batendo) Nem eu...

Samuel    -    Como??

Ana    -    (voltando) Vamos esquecer o passado não é Manuel?

Samuel    -    É Samuel!!! É isso aí princesa, o que vale é que agora você é um baita de um mulherão e a gente vai ter a oportunidade de se conhecer melhor. Eu e você, trabalhando juntinhos...

Ana    -    Exatamente... (apertando a mão dele) Olha,é um prazer quase imensurável re-conhecer você. Mas agora, se me permite... Pro nosso relacionamento profissional ter alguma saúde, a gente se encontra amanhã na obra... Portanto, (irônica) bonito... recomendo que você procure o pessoal da administração, a tal... como é o nome... Rosa

Samuel    -    É Rose!!


Ana    -    Isso que eu disse... A gente se fala amanhã, certo!!!

Samuel    -    Amanhã de manhã, certo? Alías, amanhã eu posso vir servir seu café na cama! Como você prefere seus ovos no café da manhã?

Ana    -     Não fecundados! (tempo) É melhor você resolver o mal entendido do apartamento

Samuel    -    Pô bonita, pega leve! (tempo) Você tem certeza que o mal entendido não é você estar nesse apartamento...

Ana    -    (sempre incisiva) Tenho!!!! (olhando pro apartamento) Infelizmente!!

Samuel    -    Mas você não quer discutir...

Ana    -    Até amanhã... bem cedo!!! E nada de ovos!! Bye bye.

Samuel    -    Tudo bem! Até amanhã, princesa!!!

Entra música. Samuel saí. Luz caindo em transição de cena.





27 de novembro de 2003

primavera

16:42