(Por que ninguém entende o que falo,
mesmo quando falo o que falo)!
A dramaturgia que procuro exercer é a dramaturgia universal. Criar uma história que se conte e que possa atingir a alma humana em sua necessidade de evolução.
Dramaturgia esta, que não é substantivo feminino nem masculino, não é exclusiva a infância e juventude nem a classifico como adulta. Classifico-a simplesmente como a tentativa de praticar uma dramaturgia sincera.O que leva minha dramaturgia a ser classificada como teatro jovem, é porque a temática, o questionamento que me proponho parte da premissa do olhar da descoberta, daquele que se depara com um mundo desconhecido e o analisa pela primeira vez. Analisa e aborda questões profundas, mas com a simplicidade de quem não conhece... “a quem está sendo proposto o primeiro contato”. Aquele que é contagiado pela surpresa (surpresa que gera deslumbramento ou aversão).
Ora, se minhas personagens protagonistas, são jovens, se a partir de tentar acompanhar a visão de mundo delas... torna-se pertinente que as conclusões e transformações que se apresentem no decorrer da sua trajetória sejam expostas dentro da forma simplista comum ao adolescente que observa a essência.
Penso que apesar de nunca ter experimentado a visão de um aborígene, chegaria a mesma conclusão, por mais adulto desenvolvido que o fosse, teríamos a visão simplista de alguém que enxerga a essência.

Meus mestres, aqueles com quem estudei ou convivi: Carlos Alberto Soffredini, Luiz Alberto Abreu, Vladimir Capella, Tatiana Belink e Gianfrancesco Guarnieri, me ensinaram muito além da técnica da carpintaria teatral. Ensinaram-me a ser profundamente entregue e sincero no exercício da dramaturgia.
E na busca de ser um autor sincero, não me privo da pesquisa. De abordar o tema por um infinito de possibilidades. De aprofundar o olhar na busca de uma riqueza sem fim de possibilidades de detalhes. Essa é a forma que consegui justificar pra mim o re-contar uma história. Pois na melhor das hipóteses, todas as histórias já foram contadas em qualquer mitologia no surgimento de qualquer sociedade que temos conhecimento. O sentido da minha dramaturgia é religar a essência humana que reside nas histórias míticas que a evolução da nossa sociedade tende a sacrificar. Sacrificar o aprofundamento de questões vitais a existência humana para viabilizar a infinita propagação de possibilidades, na maioria das vezes efêmera.
E pra mim, é na ausência de reler os arquétipos existenciais do homem que perdemos o elo condutor e a solução de diversos conflitos sociais e existenciais que assolam a sociedade contemporânea.
Quando me comunico com uma platéia através da simplicidade do primeiro olhar de um jovem personagem que esgotou suas possibilidades de questionamentos essências, sobre um determinado aprofundamento de uma vivência, sei que naquele momento ela, platéia, encontrou um interlocutor para questões que por muitas vezes não pode dividir, por não fazer parte da infinidade das tais questões práticas e efêmeras que compõe o existir do homem atual.





comentários: 1
Engraçado como a gente se sente "acolhida" lendo tudo que está escrito aí acima né?!! Gostei principalmente da última parte! XD
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