O pequeno livro das páginas em branco
"O Pequeno Livro das Páginas em Branco", texto e direção de Jaime Celiberto, retrata o amadurecimento vivido pela adolescente Natália, pontuado sobretudo pela morte de seu pai.
A personagem de 17 anos (interpretada por Greta Elefhteriou, do programa "Ilha Rá-Tim-Bum", TV Cultura) fica ressentida pela perda, amplia os conflitos com o irmão Dinho (Henrique Ramiro) e com a mãe (Lara Córdula) e vai encontrar porto seguro na figura do avô (Guarnieri), um pintor e plantador de caquis que mora no litoral, onde a família costuma passar as férias.
Outros aspectos abordados pela peça são o uso de drogas e as incertezas do futuro.
Celiberto baseou sua história no livro ainda inédito de Sonia Mayumi Fujimoto, "Fragmentos de Dias". São ilustrações, pinturas e poemas (haicais) sobre o processo de perda do pai da autora. A peça recebeu em 2002 o Prêmio Júlio Gouveia - Dramaturgia para Adolescentes, da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo.
"O barato de escrever para jovens é a sensação de que se está fazendo tudo pela primeira vez. Parece que nós, adultos, ficamos anestesiados por dentro. A adolescência carrega cores mais fortes", diz Celiberto, 38, cuja cia. Teatro do Beijo, empenha-se no universo teen.
A personagem de 17 anos (interpretada por Greta Elefhteriou, do programa "Ilha Rá-Tim-Bum", TV Cultura) fica ressentida pela perda, amplia os conflitos com o irmão Dinho (Henrique Ramiro) e com a mãe (Lara Córdula) e vai encontrar porto seguro na figura do avô (Guarnieri), um pintor e plantador de caquis que mora no litoral, onde a família costuma passar as férias.A partir das lembranças do pai, que aparece em cena justamente no plano da memória (Pedro Henrique Moutinho), e estimulada pelo afeto do avô, a garota começa a rever a relação com aqueles que ama e consigo mesma --a afirmação de sua identidade.
Após um caso ou outro, entre citações da banda escocesa Belle and Sebastian e do filme "Beleza Roubada", de Bernardo Bertolucci, o colega de infância Ivan (José Roberto Jardim) desponta como namorado e traz à tona a descoberta da sexualidade.
Celiberto baseou sua história no livro ainda inédito de Sonia Mayumi Fujimoto, "Fragmentos de Dias". São ilustrações, pinturas e poemas (haicais) sobre o processo de perda do pai da autora. A peça recebeu em 2002 o Prêmio Júlio Gouveia - Dramaturgia para Adolescentes, da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo.
"O barato de escrever para jovens é a sensação de que se está fazendo tudo pela primeira vez. Parece que nós, adultos, ficamos anestesiados por dentro. A adolescência carrega cores mais fortes", diz Celiberto, 38, cuja cia. Teatro do Beijo, empenha-se no universo teen.
Cena III - (Fragmentos de Dias)
Natália em off -
Ecos de gotas d'água.
Incessantes,
Entorpecentes.
Fragmento 1
Num outro plano entra a mãe de Natália, dando vida aos seus pensamentos. Ela carrega um casaco, sacolas, bolsa, etc. Para no centro do palco como quem está se arrumando para sair de casa.
Música finda.
Mãe - (No centro do palco, gritando com uma Natália imaginária) Vamos Natália!! Depressa menina!
Natália - (termina de arrumar sua mochila e fica olhando o nada) . . .
Mãe - Dinhoooo!!! Ô Meu São Benedito! será possível, menino?
Natália - (ainda olhando o nada) . . .
Mãe - Natália, se você quer carona pro colégio, trata de vir agora!
Natália - (apanha sua mochila) . . .
Natália caminha até mãe. A menina está levemente drogada.
Mãe - (Sempre com uma irritação de quem está atrasada) Já sei!... Só por que teu pai tá viajando, você acha que pode me enfrentar, né?
Natália - (caminha até a mãe e se posiciona de modo que a mãe possa lhe vestir o casaco) . . .
Mãe - (vestindo Natália) Chega Natália!! Não quero ouvir mais nem um piu!!! (rindo) Já entendi, você tá mesmo querendo é perder a hora, pra ter uma desculpa pra poder matar aula, né? (brincando) sua safadinha!!!
Natália fica completamente entregue a mãe que lhe trata como uma boneca. Seu olhar está sempre acompanhando os olhos da mãe.
Mãe - (severa, arrumando a roupa de Natália) Pode esquecer menina, pois é agora que vou te levar até o colégio e só redo o pé, quando eu te ver portão pra dentro. Natália, que cabelo é esse minha filha?
A mãe começa a escovar os cabelos da menina, muito rápido e com muita força.
Mãe - Merda, tô atrasada!!! Dinho!! Vamos logo meu filho. Vamos logo meu filho... vamos logo filhinho... filhinho...
Entra música. Luz muda. A cena vai ganhando um ar irreal.
. . .
Jaime Celiberto
15
setembro
2002
inverno





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